Aba 1

Postado em 24 de Junho de 2013 às 13h59

Um Mundo Sem Fios

Sentado na poltrona do avião, voando a milhares de pés de altura, você manda um e-mail para os amigos. Quando chega em casa, com apenas um comando controla a TV, o aparelho de som e a geladeira. Pequenos chips avisam que está na hora de tomar o seu remédio. Na sala do dentista, dá para tentar esquecer o medo jogando o game mais moderno. No escritório, o porta-retratos exibe uma foto nova, sem que você tenha colocado a mão nele. Você entra no carro e diz: “Toca para a casa da minha mãe”. E ele vai. Alguém já disse que o século 21 é regido pelo signo da mobilidade – talvez alguma propaganda de celular ou notebook. Mas, a cada ano, essa frase ganha um sentido cada vez mais real.
Todas as facilidades citadas acima já estão disponíveis no presente, em maior ou menor escala, e deverão gradativamente fazer parte do seu cotidiano nos próximos dez anos. São três as principais tecnologias responsáveis por essa revolução: Bluetooth, Wi-Fi e WiMAX. O Bluetooth, utilizado basicamente em sistemas caseiros para integrar equipamentos eletroeletrônicos, é um padrão de transmissão por radiofreqüência, potente o bastante para atravessar paredes e outros obstáculos. Permite um alcance máximo de 10 metros entre os dispositivos. O nome Bluetooth (dente azul, em inglês) é uma homenagem do consórcio de empresas criadoras (Ericsson, Intel e Motorola, entre outras) a um rei viking do século 10 chamado Harald Bluetooth, que uniu a Dinamarca e a Noruega. O Wi-Fi, ou wireless fidelity (fidelidade sem fio), possibilita a conexão sem fio à internet em banda larga a uma distância de até 50 metros, por meio de ondas eletromagnéticas. Já o WiMAX, uma evolução do Wi-Fi, tem alcance de até 50 quilômetros (em áreas de alta densidade populacional, essa distância cai para 10 quilômetros) e está em fase de testes no Brasil.
Como o mundo não pára, já está sendo desenvolvida uma extensão do WiMAX. Trata-se do 802.16e. A diferença é a seguinte: tanto o Wi-Fi quanto o WiMAX exigem que o computador fique “parado”. Você precisa ter uma antena em casa ou no escritório para acessar a internet. No caso do 802.16e, você consegue se conectar enquanto se desloca num veículo – dá para mandar um e-mail do ônibus, do metrô ou do carro. A Intel promete colocar essa tecnologia no mercado em 2006.
Em um mundo cada vez mais informatizado, lares e escritórios são invadidos por aparelhos eletroeletrônicos e suas dezenas de fios e cabos. Logo esse incômodo emaranhado vai fazer parte do passado. Será um mundo completamente wireless (sem fio). “Se você gasta um bom dinheiro em um televisor de última geração ou num bom tocador de MP3, não vai querer colocá-lo onde existe uma tomada, e sim numa parte da casa mais confortável para você”, disse Jeff Harris, diretor de tecnologia da General Atomics, ao jornal USA Today.
Graças ao Bluetooth, já é possível trabalhar com computadores caseiros que não precisam de fios para se comunicar com o mouse ou com a impressora. Alguns aparelhos de som fabricados em 2005 já contarão com a tecnologia, permitindo que o usuário busque no computador arquivos de música digitais e faça sua seleção preferida. E quem disse que não dá para levar o computador para o banheiro? Usando notebooks equipados com a tecnologia Wi-Fi, é possível se conectar de qualquer lugar da casa.
DÉCADA DIGITAL
Em três anos, especialistas acreditam que boa parte dos eletrodomésticos (como fogão e geladeira) será equipada com tecnologia sem fio, tornando-se gerenciável à distância, pela internet. Já em junho de 2005 está prevista a chegada do Bluetooth 2.0 EDR, que deve triplicar a velocidade de transmissão de dados de acessórios equipados com essa tecnologia. Em 2006, será possível que até sete aparelhos possam trocar dados entre si. Pressionando apenas uma tecla, você poderá fazer uma ligação no telefone, acionar o tocador de MP3 e ajustar o despertador. “A utilização da tecnologia wireless será comum no ano 2010”, prevê o bilionário Bill Gates, dono da Microsoft. “Será quando, finalmente, teremos acesso a informação de literalmente todos os lugares do mundo. Essa é a década digital”, diz Gates.
O Brasil já conta com diversos lugares que possibilitam o acesso à internet, em alta velocidade, em ligações sem fio. Até o momento, são cerca de 800 pontos de Wi-Fi em hotéis, aeroportos e restaurantes, onde é possível acessar a internet com laptops, palms e telefones celulares. Boa parte desses pontos (cerca de 500), chamados hotspots, foi instalada pela Telefônica no estado de São Paulo. Esse número deve aumentar em mais de 50% nos próximos dois anos. Existem ruas na capital paulista já inteiramente cobertas por essa tecnologia. Por enquanto, o uso dos hotspots é gratuito, mas a previsão é que, até o fim de 2005, passe a ser um serviço cobrado, por meio de cartões pré-pagos.
Para acessar os hotspots, o computador precisa de uma plataforma especial de acesso Wi-Fi, como a Centrino. Boa parte dos notebooks e computadores móveis fabricados atualmente já traz embutidas essas plataformas. Em 2006, 90% dos computadores portáteis devem sair das fábricas já equipados com a tecnologia Wi-Fi. A International Data Corporation (IDC) estima que, até o fim de 2007, o número de hotspots públicos no mundo deve atingir 190 000, para atender a uma demanda de 25 milhões de usuários. A Boeing, por exemplo, já utiliza a tecnologia. Em suas aeronaves, os passageiros podem aproveitar o tempo de vôo para acessar a internet com seus computadores pessoais, sem necessidade de conectar qualquer tipo de cabo.
O sistema de acesso sem fio à internet também permite levar a rede mundial de computadores, de forma mais fácil e rápida, a áreas rurais com infra-estrutura de comunicação precária. É com essa tecnologia, por exemplo, que a Fundação Bradesco mantém uma escola em Bodoquena, em pleno Pantanal mato-grossense. Através de hotspots comunitários, o governo de São Paulo lançou o programa Acessa São Paulo, que utiliza essa tecnologia mais barata para levar a internet a regiões mais pobres, dentro de sua meta de promover a inclusão digital. São mais de 100 infocentros em todo o estado. Com o wireless, o mundo realmente poderá se tornar uma aldeia global – sem exceções ou excluídos.

Um mundo sem fiosTecnologias como Bluetooth, Wi-Fi e WiMAX prometem uma nova linha de equipamentos eletroeletrônicos .

PARA RICOS E POBRES

A tecnologia sem fio já faz parte da realidade de muitos países, dos mais ricos aos mais pobres. Nos Estados Unidos, a polícia da cidade de Los Angeles trabalha com um sistema de computadores integrados sem fio. Esses computadores, instalados em carros e motos de policiais, transmitem em alta velocidade fotos de pessoas procuradas, fichas policiais e outras informações. Em 2006, tudo isso poderá ser transmitido diretamente para os telefones celulares dos policiais.

Na África do Sul, o governo, com a ajuda da Motorola, implantou um programa de ensino à distância que conecta, sem fios, professores e estudantes de cinco escolas espalhadas em diferentes regiões do país. Esses alunos interagem por meio de lousas virtuais, microfones e internet. Na África do Sul, como em todo país subdesenvolvido, há poucos professores para o contingente de crianças. Com essa tecnologia, professores poderão atingir facilmente um maior número de alunos ao mesmo tempo. O projeto deve ser estendido para outros países do continente.

O Brasil também tem algumas iniciativas interessantes no emprego da tecnologia sem fio. Em Ribeirão Preto, no interior paulista, a Faculdade Oswaldo Cruz mantém um ambiente chamado e-class – classe virtual, em bom português. A sala de aula é totalmente equipada com a tecnologia sem fio. Tem uma lousa digital e os alunos fazem suas anotações nos tablets, uma espécie de caderno on-line que permite escrever diretamente na tela. O conteúdo das aulas fica gravado nos tablets e pode ser acessado a qualquer momento. O sistema ainda está em fase de testes, mas a faculdade pretende implantá-lo definitivamente em, no máximo, três anos.

TELEMEDICINA

Na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) existe uma disciplina chamada telemedicina, que utiliza aparelhos dotados do sistema Bluetooth, com câmera e microfone integrados que enviam informações para computadores e telões. Essa inovação permite que alunos e juntas médicas acompanhem, remotamente, consultas, exames clínicos e até cirurgias. A idéia é, ainda em 2005, utilizar esse sistema em casos de emergência e resgates de rua, com médicos prestando atendimentos à distância. A telemedicina já permite a realização de interconsultas médicas (quando um médico pede uma segunda opinião a um colega), cirurgias e discussão de casos clínicos.

Inclusão, barateamento e rapidez parecem ser vocábulos inerentes à tecnologia sem fio. Com um sistema chamado KinoCast, que possibilita a distribuição de filmes via satélite, a magia do cinema poderá encantar um número maior de pessoas. O objetivo dessa tecnologia é dar a um público de menor poder aquisitivo, que vive em locais remotos, a oportunidade de assistir aos últimos lançamentos disponíveis apenas nas grandes cidades. O KinoCast permite o gerenciamento remoto de horários de sessões – a empresa sabe qual filme está sendo exibido, as grades de horário ou quando a licença vai expirar. A redução dos custos pode chegar a 1 500 dólares por rolo de filme. Isso deve possibilitar a cobrança de ingressos mais baratos. Atualmente, existem 27 salas que exibem fitas transmitidas em formato digital via satélite, em Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro. Mas a Rain Networks, dona da tecnologia no país, pretende levar o cinema digital a 2 000 localidades nos próximos três anos.

 


Fonte: http://super.abril.com.br/tecnologia/mundo-fios-445495.shtml

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